domingo, 8 de março de 2015

Sobrestimação dos benefícios e subestimação dos custos das intervenções médicas

Muito interessante este post da Vox que sintetiza uma revisão sistemática publicada no JAMA. Segundo os autores do estudo, "os participantes raramente têm expectativas correctas quanto aos benefícios das intervenções e quanto aos seus riscos ou possíveis consequências indesejadas" e "em muitas intervenções (testes, rastreios ou tratamentos) existe uma tendência para sobrestimar os seus benefícios e subestimar possíveis danos."

Os autores concluem ainda que o "enviesamento do optimismo" é originado por vários fatores: práticas comerciais da indústria, problemas de comunicação entre médicos e doentes quanto aos rácios risco-benefício e a esperança que as pessoas colocam nos cuidados de saúde e na profissão médica.

domingo, 1 de março de 2015

Inovação na Saúde

Na quinta-feira passada, dia 26 de fevereiro, o Programa Sociedade Civil, da RTP 2, foi dedicado ao tema da "Inovação na Saúde" e contou com a presença de António Lúcio Baptista,
Veronika Joukes, Joaquim Sá Couto e Braz Costa. Pode ser visto aqui.

Ainda esta semana o blog da revista Health Affairs disponibilizou dados adicionais sobre o designado problema da produtividade da I&D na indústria farmacêutica - o facto de as empresas farmacêuticas estarem a gastar cada vez mais em I&D, apesar de existir uma diminuição do número de medicamentos aprovados em cada ano.

Por fim, sugiro um pequeno artigo onde o responsável do NICE, Andrew Dillon, explica, de uma forma bastante simples, o modo como a instituição toma algumas das suas decisões.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Leituras de fim de semana

A revista Sábado tem um número especial dedicado à saúde e ao valor da vida (o site da revista disponibiliza um documentário sobre medicamentos oncológicos que pode ser visualizado aqui). Já o jornal Público anuncia que a Comissão Europeia promete um prémio de um milhão de euros a quem criar um teste que avalie a necessidade de prescrição de antibóticos. O Hospital do Futuro publica uma entrevista com Joaquim Cunha, Diretor Executivo do Health Cluster Portugal, onde um dos temas abordados é o turismo de saúde. Este setor de atividade deverá receber um novo impulso com a determinação (em despacho publicado hoje em Diário da República) de implementar as recomendações do Relatório sobre Turismo de Saúde.









sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Limiares dos QALYs demasido elevados?

O Financial Times destaca hoje (acesso pago) a recente publicação de um estudo da Universidade de York (aqui) em que se conclui que o limiar de 30 000 libras por QALY usado pelo NICE tem sido prejudicial para os resultados em saúde conseguidos pelo NHS inglês. Segundo o estudo, qualquer intervenção que custe mais do que 13 000 libras por QALY causa mais danos do que benefícios, atendendo aos outros cuidados que têm de ser sacrificados (dado que os recursos são limitados).

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Leituras sugeridas

O jornal Público publicou uma notícia sobre o estudo da Entidade Reguladora da Saúde quanto ao desempenho das Unidades Locais de Saúde. Ainda segundo o mesmo jornal, o número de medicamentos inovadores duplicou nos últimos 5 anos. Entretanto, de acordo com o JN, uma monitorização feita pela ARS Norte revela que, em setembro do ano passado, 40% das embalagens vendidas com prescrição por DCI tinham preços superiores ao do quinto medicamento mais barato, representando uma poupança perdida para os utentes de 2,9 milhões de euros.

A nível internacional está a merecer atenção o novo livro "The Patient Will See You Now" de Eric Topol, autor de "The Creative Destruction of Medicine". Uma crítica do New York Times permite ter uma ideia quanto ao conteúdo certamente polémico do livro.

Por fim, numa das múltiplas iniciativas para reforçar a importância da vacinação no combate a várias doenças são muito elucidativos os gráficos aqui disponibilizados,








quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Custos de desenvolvimento dos medicamentos e outras leituras recomendadas

Numa época em que tanto se fala sobre os custos associados ao desenvolvimento dos medicamentos e à obtenção de autorização para a sua introdução no(s) mercado(s), é curioso conhecer as estimativas mais recentes de DiMasi et al. (2014) que apontam para um valor de 2,6 mil milhões de USD (aqui). Este estudo atualiza os valores de um dos estudos mais famosos sobre a questão, publicado em 2003 (aqui). DiMasi explica aqui como se determinam estes valores. Uma revisão de vários estudos foi ainda publicada no Health Policy em 2011(aqui).

A merecer também atenção um artigo de opinião de Cutler sobre a reforma do sistema de pagamentos da Medicare no Fórum do JAMA (aqui) e uma revisão quanto ao que se sabe sobre diferentes mecanismos de política com o objetivo de influenciar os comportamentos da população (síntese aqui).

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Leituras sugeridas

Hoje o jornal Público apresenta uma reportagem sobre a evolução da despesa com medicamentos inovadores (aqui). Os resultados obtidos na negociação de preços com a Gilead (noticiada esta semana em Portugal) refletem a guerra de preços entre várias empresas que vendem medicamentos nesta área (aqui)

No blog Incidental Economist é apresentada uma reflexão interessante. Sendo certo que os orçamentos de vários países podem não conseguir comportar os custos associados aos medicamentos inovadores, continuam a ser financiados procedimentos com um valor por um QALY exageradamente elevado. Dão o exemplo da recente decisão da Medicare de financiar tomografias de diagnóstico de cancro de pulmão, apesar de um artigo de acesso livre do JAMA concluir que o custo incremental por QALY no subgrupo de antigos fumadores é superior a 2 milhões de usd.

Entretanto, em Inglaterra, alguns grandes hospitais recusam-se a assinar os contratos programa receando que a saúde dos doentes esteja em causa (aqui).

Em várias revistas de economia da saúde foi publicado um editorial conjunto da máxima importância. A partir de agora, os autores devem procurar submeter os seus estudos para publicação, mesmo que os resultados que tenham obtido sejam de caráter "negativo" (isto é, em que não se rejeita a hipótese nula), assim como se desencoraja a utilização de data mining com o mero objetivo de rejeitar hipóteses nulas (aqui). A propósito deste assunto vale a pena lembrar esta excelente reflexão quanto à "procura de asteriscos" no domínio da gestão (aqui).